Vómitos

 

 

 

 

 

Em idade infantil, as náuseas e os vómitos são uma das manifestações mais frequentes de doença. Felizmente, na maioria dos casos traduzem apenas uma doença viral ligeira e passageira!

 

 

Recém-nascido e primeiros anos de vida         

           

Em primeiro lugar há que diferenciar a regurgitação do verdadeiro vómito. A maioria dos bebés no início de vida tem episódios de regurgitação – passagem não forçada de conteúdo alimentar pela boca que acontecesse usualmente logo após as refeições associado a um arroto (ver secção regurgitação).

 

O vómito implica sempre esforço na expulsão dos alimentos e pode ser identificado pela contração dos músculos abdominais.

 

No primeiro mês de vida, o vómito pode acontecer esporadicamente mas qualquer bebé que vomite nesta fase deve ser avaliado pelo seu médico assistente (ver sinais de alarme abaixo).

 

Após a 2ª-3ª semana de vida, vómitos persistentes, em jacto, podem ser causados por um aperto (obstrução) do músculo da saída do estômago – estenose hipertrófica do piloro (ver imagem). Esta situação requer orientação médica atempada. Normalmente, estes vómitos acontecem no período de 15 a 30 minutos após as refeições, aproximadamente.

 

Outra situação potencialmente perigosa, mas facilmente reversível em meio hospitalar, é a invaginação intestinal. Nesta situação, uma parte do intestino invagina-se, ou seja, “mete-se dentro de si mesma”, causando obstrução intestinal e incapacidade na progressão de gases e fezes a partir desse ponto. O que se passa é um dos constituintes do intestino (as placas de Peyer, responsáveis pela defesa) é interpretado como elemento externo e despoleta uma invaginação na tentativa de ser expulso. Esta situação acontece com maior frequência entre os 3 meses e os 2 anos de idade e é rara a partir dos 3 anos.

 

 

Crianças mais velhas

           

Nas crianças mais velhas as infeções gastrointestinais são destacadamente a causa mais frequente de vómitos. Salvo na presença de sinais de alarme (como desidratação, recusa alimentar prolongada, febre ou dor intensa abdominal – ver secção abaixo), a maioria destas infeções são benignas e não necessitam de tratamentos específicos, resolvendo em 24h. 

 

As intoxicações alimentares, causadas por mau armazenamento ou preparação dos alimentos que contenham toxinas, também são uma causa possível de vómitos nestas idades.

 

Outras doenças que também podem causar vómitos crianças mais velhas incluem refluxo gastroesofágico, úlcera péptica, obstrução intestinal e apendicite aguda, entre outras causas.

                       

          

O que fazer em casa?

 

A hidratação (reposição dos líquidos perdidos no vómito) é o tratamento principal.

 

Tenha sempre em nota que os bebés e crianças desidratadas ou que não tolerem líquidos por via oral por mais de 4h necessitarão de internamento hospitalar para repor os líquidos em falta por via parentérica.

           

Nos lactentes a leite materno, o bebé deve continuar a amamentar salvo o médico indicar algo em contrário. Os sais de reidratação oral não são necessários nestes bebés porque o leite materno é eficaz a hidratar e é mais facilmente digerido. Uma boa estratégia poderá ser a de amamentar mais vezes e por menos tempo (por mamada). Por exemplo, amamente de 30 em 30 minutos por 5 a 10 minutos.

 

Nos outros lactentes (a leite de fórmula) e crianças:

 

- Oferecer um sal de reidratação oral preparado comercialmente (como Dioralyte®, Redrate®, entre outros) – uma colher de chá de 5 em 5 minutos.

- É benéfico realizar uma pausa alimentar de 4 a 6 horas.

- Após este período, reintroduzir os alimentos até ao normal – atenção que o apetite aparece antes da capacidade plena para tolerar os alimentos!

- Não oferecer sumos e outras bebidas com muito açúcar

- Os alimentos recomendados são os hidratos de carbono complexos (como o arroz, pão, batatas), carnes brancas, iogurte, frutas e vegetais. Alimentos com muita gordura são mais difíceis de digerir e devem ser evitados.

- Não medique o seu filho com medicamentos de venda livre – contacte sempre com o seu médico assistente em caso de dúvida

 

Não esqueça: previna a reinfeção em si e outros familiares – lave as mãos frequentemente com sabão, e esfregue-as bem pelo menos por 15 a 30 segundos – tome atenção aos espaços entre os dedos, unhas e pulsos.

 

 

REFERÊNCIAS

1. Pediatrics, A.A.o., Caring for your baby and young child: Birth to Age 5 - Fifth Edition. Bantam Books, 2009.

2. Lorenzo, C., Patient information: Nausea and vomiting in infants and children (Beyond the Basics). Uptodate, 2013.

3. Costa, M.A., et al., Terapêutica Pediátrica em Ambulatório - 2ª Edição. Lidel, 2010.

 

Sinais de alarme

Se o seu bebé ou criança tiver algum destes sinais de alarme deverá procurar com brevidade assistência médica:

 

- Qualquer vómito no 1º mês de vida;

 

- Vómitos repetidos/persistentes (>24 horas) ou associados a grande esforço;

 

- Vómitos em jacto no período após as refeições;

 

- Vómitos biliosos (verdes) ou com sangue (coloração vermelha);

 

- Desidratação, avaliada pela presença de pelo menos um dos seguintes sinais: boca seca, olhos encovados, chorar sem lágrimas, não urinar (sem fralda molhada em 4-6h em bebés ou crianças mais pequenas, ou, não ter urinado em 6-8h nas crianças mais velhas);

 

- Recusa de alimentos ou líquidos por mais que algumas horas

 

- Dor de barriga intensa