Viajar com uma criança - viagens internacionais com crianças

 

 

 

 

 

As crianças são um grupo especialmente vulnerável em viagens internacionais. Por isso, os cuidados e medidas preventivas devem ser reforçados.

 

Em primeiro lugar, devemos pensar sempre nos aspetos relacionados com a segurança na viagem - segurança para a saúde e segurança pessoal. Será que viagem é mesmo necessária nesta fase da vida da criança? Para crianças pequenas (sobretudo abaixo de um ano de idade) devemos refletir, para certas regiões do planeta, se  valerá a pena expor a criança a este risco. Isto porque existem certas vacinas e medidas preventivas que não podem ser aplicadas tão cedo, sobretudo antes do ano de idade.

 

A consulta do viajante deverá ser sempre programada para viagens aos seguintes continentes: África, América do Sul e Sudeste Asiático. Também deve ser considerada em caso de viagens especiais, da criança ter alguma patologia crónica e sempre que exista alguma dúvida por esclarecer. Para muitos destinos turísticos de praia tradicionais, como as Maldivas, República Dominicana, Cuba ou os resorts do México os riscos são, geralmente, muito baixos não sendo de forma geral imprescindível uma consulta do viajante especializada.

 

 

Riscos relacionados com a água e os alimentos

 

Numa viagem internacional, as crianças correm um risco mais elevado de desidratação perante problemas como os vómitos e a diarreia, pelo que os pais devem estar bem preparados para gerir bem estes problemas (incluindo ter à mão sais de reidratação oral) e apostar na segurança da água e alimentos fornecidos às crianças. Para zonas do planeta como África, Sudeste Asiático e América do Sul, oferecer à criança água sempre engarrafada ou fervida, nunca esquecendo a água de lavar os dentes e evitando o gelo. Os alimentos devem ser sempre cozinhados na altura da refeição e devem ser evitados alimentos crus, incluindo as saladas e a casca da fruta. Muito cuidado também os produtos lácteos (devem haver certeza de serem pasteurizados), mariscos e ovos. Estes últimos, mesmo cozinhados podem ter toxinas perigosas se contaminados.

 

 

Riscos relacionados com os mosquitos

 

Em muitas regiões do planeta, como a África Sub-saariana, América Central e do Sul e grande parte do continente Asiático e Oceânico, existem mosquitos que podem transmitir doenças perigosas. Entre estas doenças encontram-se a malária, dengue, chikungunya, febre amarela, entre outras. Muitas destas doenças não têm outra forma de prevenção senão a evição da picada do mosquito. 

 

Os mosquitos que transmitem estas doenças, como o Anopheles e o Aedes, podem picar ao longo de todo o dia embora o período mais perigoso seja o final da tarde. Utilizar um repelente apropriado, com DEET, é muito importante. Todas as áreas descobertas do corpo devem ser bem impregmentadas, nunca esquecendo os tornozelos e os pés (se descobertos), os braços, mãos, a nuca e a região das orelhas e atrás destas. 

 

 

Riscos relacionados com a exposição solar

 

Nunca é demais lembrar os riscos para a pele de uma exposição solar desadequada (em horário de maior perigo) ou excessiva. Por isso, o protetor solar deve fazer sempre parte da bagagem e com um bom fator de proteção (pelo menos 50).

 

 

Riscos relacionados com a altitude

 

Se pretende viajar para uma região em altitude, sobretudo para transições de mais de 2500 metros (a partir do nível do mar ou próximo) existem perigos sérios para a saúde em caso do organismo não se adaptar adequadamente aos novos níveis de pressão atmosférica. Se a sua viagem for deste tipo, programe sempre uma consulta do viajante.

 

Viajar de avião com criança

- As viagens aéreas estão contra-indicadas a recém-nascidos com idade inferior a 48h

 

- Não sendo imprescindível, em termos médicos é desaconselhado viajar até aos 7 dias de vida

 

- Os bebés prematuros devem ter sempre uma avaliação médica antes da viagem, até que tenham os seus órgão devidamente desenvolvidos e estabilizados.

 

- É também desaconselhável a criança viajar com coriza (com "constipação"), na medida em que a viagem pode desencadear uma otite média aguda.

 

- Os dois maiores riscos para a criança numa viagem de avião são o sofrimento causado pela mudança de pressão atmosférica e a desidratação. Estes riscos podem ser amenizados por estimulantes da deglutição (ingestão de alimentos, utilização de chupeta ou boneco) e o aporte de líquidos.

Kit médico para a viagem

- Leite da criança (se necessário)

 

- Sais de reidratação oral

 

- Analgésico e antipirético (paracetamol)

 

- Creme anti-histamínico

 

- Repelente de insetos

 

- Soro fisiológico

 

- Protetor solar (se aplicável)

 

- Medicação habitual da criança

 

- Medicação especifica para a viagem se prescrita em consulta do viajante