Varicela

 

 

 

 

 

O que é?

É uma doença causada pelo vírus varicela-zoster, muito contagiosa. Afeta sobretudo crianças, com um pico no final do Inverno e início da Primavera. É geralmente ligeira e auto-limitada.

Crianças com imunodeficiências, adolescentes, adultos e grávidas têm um risco aumento de doença mais grave.

O diagnóstico é clínico, excetuando casos atípicos ou de crianças com imunodeficiências, em que é necessário recorrer a análises laboratoriais.

 

Como identificar?

O período de incubação varia entre duas a três semanas, começando nessa altura os primeiros sintomas: febre baixa, perda de apetite, dores de cabeça, obstrução nasal, dores de garganta e, em algumas crianças, dores de barriga.

No dia seguinte começam a aparecer sucessivamente manchas e pápulas (lesões com elevação/relevo da pele) vermelhas, que se transformam em vesículas (lesões contendo líquido), pústulas (lesão contendo pús) evoluindo depois para úlceras (depois de rebentarem) e, por fim, em crostas.

Todas estas lesões na pele provocam comichão muito intensa.

A varicela, ao longo dos dias tem uma progressão "de cima para baixo" (cefalocaudal), aparece geralmente na cabeça/couro cabeludo e depois espalha-se para o resto do corpo, incluindo tronco, membros, céu da boca e genitais. Poupa, no entanto, as palmas das mãos e as plantas dos pés.

Como as lesões vão aparecendo por surtos, ao longo de 3-5 dias, apresentam um aspeto característico por se encontrarem em diferentes fases de evolução: umas ainda em fase de pápula, enquanto outras já estão em fase de vesícula, ou já a cicatrizar em crosta.

Normalmente ficam todas em crosta ao fim de 4-7 dias, contando a partir do dia de aparecimento da primeira lesão.

 

Como se transmite?

A transmissão ocorre através do contacto direto com as pápulas e vesículas que contêm o vírus. As crostas já não são contagiosas. Ou seja, a varicela deixa de ser contagiosa a partir do momento em que todas as lesões estão em crosta (inspecionar bem os membros inferiores, que geralmente são os últimos locais de aparecimento das lesões).

Também pode haver contágio através de gotículas respiratórias que contêm o vírus.

Na grávida com varicela, a transmissão do vírus para o feto pode ocorrer através da placenta.

 

Quando se transmite?

O período de contágio é compreendido entre 1-2 dias antes do aparecimento das manchas e pápulas até à sua transformação total em crostas, o que normalmente acontece 5-6 dias depois.

 

Como tratar?

Em crianças previamente saudáveis, a varicela salvo raras exceções evolui espontaneamente para a cura. A criança deverá sempre ser avaliada pelo médico assistente. Geralmente não são necessários tratamentos específicos, bastando aplicar um conjunto de medidas gerais de alívio sintomático e prevenção de complicações (infeções na pele) - ver quadro ao lado.

O tratamento com antivirais (uma classe de medicamentos especifica para tratar vírus, impedindo a sua multiplicação) está reservado a situações especiais e deve ficar ao critério do seu Médico de Família.

 

Vacinar contra a varicela?

Como vimos, a varicela é uma doença benigna em idade infantil. A Organização Mundial de Saúde apenas recomenda a vacinação no âmbito de um Plano Nacional de forma a garantir imunidade de grupo. Vacinar de forma esporádica pode aumentar a morbilidade e mortalidade global já que a vacina não é 100% eficaz (cerca de 20% dos vacinados contraem varicela) e o virus selvagem continuaria a circular.

 

E a Zona?

O herpes zoster ou zona ocorre quando há uma segunda exposição ao vírus da varicela. Afeta sobretudo adultos, idosos, doentes imunocomprometidos.

Caracteriza-se por um lesões cutâneas localizadas, muito dolorosas, só num dos lados do corpo e delimitadas a uma área.

 

 

REFERÊNCIAS:

Cochito, M et al. Terapêutica dermatológica em ambulatório. Lisboa: Lidel – Edições Técnicas, Lda. 2007.

Bechtel KA, Chatterjee A. Pediatric Chickenpox. Medscape [Internet]. 2014 [cited 2014 Nov 15]. Available from: http://emedicine.medscape.com/article/969773-overview

Usei um protocolo da aeped – mas não consigo encontrar – data de publicação , autores… (envio em anexo)

Margo KL, Shaughnessy, AF. Antiviral Drugs in Healthy Children Am Fam Physician. 1998 Mar 1;57(5):1073-1077.

Carvalho, IP et al. Orientações Clínicas - Ambulatório em Idade Pediátrica. UPIP. ARS Norte. 2008.

CUIDADOS GERAIS

1. Dar banho com emulsão de limpeza antisséptica, sem esfregar a pele e limpar com cuidado.

 

2. Unhas rentes e limpas, para evitar a sobreinfeção das lesões por bactérias e cicatrizes.

 

3. Aplicação de loção com calamina nas zonas afetadas para aliviar a comichão.

 

4. Podem ser necessários anti-histamínicos para a comichão. Deve informar-se junto do seu Médico de Família.

 

5. Se febre pode ser necessária medicação antipirética, sendo a primeira linha o paracetamol em dose otimizada. Nunca dar derivados do ácido acetilsalicílico (como aspirina) por risco de desenvolver Síndrome de Reye (situação neurológica grave). Também é boa prática evitar o uso de ibuprofeno se não for estritamente necessário.

QUANDO VOLTAR PARA A ESCOLA?

A varicela faz parte de um conjunto de doenças, que estão sujeitas a um período de evicção escolar obrigatório, isto é, as crianças devem obrigatoriamente ser afastadas da escola desde o diagnóstico até ao momento em que não são mais contagiosas.

 

No caso da varicela, o afastamento geralmente é para um período mínimo de cinco dias após o início da erupção cutânea - período necessário até que todas as lesões estejam em crosta.

Exantema típico da varicela: num mesmo local coexistem lesões em vários estadios, desde manchas e pápulas, até úlceras e vesículas.