Vacinas extra-plano (extra PNV)

Última revisão deste tema: 07/10/2015

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O uso das vacinas extra-PNV (Plano Nacional de Vacinação) deve ser considerado após discussão com o pediatra e/ou médico de família. Para auxiliar no processo de decisão, colocamos um pequeno resumo do racional científico para o uso das principais vacinas extra-plano e os efeitos adversos.

 

 

Vacina contra o Streptococcus Pneumoniae (Prevenar®)

 

O Streptococcus Pneumoniae (pneumococo) é um dos principais agentes causadores de infeções potencialmente graves em idade pediátrica. Pode causar, entre outras, amigdalites, otites, pneumonias, meningites e sépsis. A maioria destas infeções ocorre abaixo dos 2 anos de idade. Existem vários serogrupos do pneumococo. Atualmente, a vacina cobre 13 serogrupos e subtituiu uma anterior da mesma marca que cobria 7 serogrupos. Esta vacina dos 7 serogrupos foi avaliada para integrar o Plano Nacional de Vacinação mas não foi incluída por não ter demonstrado de forma inequívoca vantagens a nível populacional. A vacina atual, dos 13 serogrupos, ainda não foi alvo do mesmo processo de decisão.

 

Justificação: Nos EUA, após a introdução da vacina com 7 serogrupos no plano nacional de vacinação, verificou-se uma redução muito significativa da doença invasiva pneumocócica causada por estes serogrupos. Em Portugal, a vacina foi integrada no PNV em 2015. Como continua a ser vacina extra-plano para muitas crianças, optamos por manter esta vacina nesta secção. Em 2013, a cobertura vacinal estaria nos cerca de 60%. Dados recentemente publicados mostram uma redução da incidência da doença invasiva pneumocócica no grupo etário abaixo dos 18 anos, de 8.2 casos/100,000 em 2008-09 para 4.5/100,00 em 2011-12.

 

Efeitos secundários possíveis: Os mais frequentes incluem febre, náuseas/vómitos, irritabilidade, perturbação do sono, cefaleia e dor no local da injeção (até 15% das crianças).

 

Como tomar

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Recomendações existentes:

Comissão Nacional de Vacinas: "recomenda a vacinação universal das crianças menores de 2 anos de idade com a VCP13v."

 

 

 

Vacina contra o Meningococo B (Bexsero®)

 

A Neisseria meningitidis, bactéria que causa meningites e septicémias potencialmente graves, tem vários serogrupos - A, B, C, Y e W. Em Portugal, os serogrupos mais frequentes são o B e o C, sendo que tem havido nos últimos anos um aumento do serogrupo Y. O PNV inclui, desde 2006, a vacina contra o serogrupo C, na altura o mais frequente no nosso país. Desde a sua introdução, verificou-se uma descida expectável das meningites causadas pelo serogrupo C (gráfico em baixo) e um maior predomínio das meningites causadas pelo serogrupo B. É neste sentido que surge a vacina contra o serogrupo B.  A transmissão faz-se pessoa a pessoa pelas secreções respiratórias de um portador são ou indivíduo doente.

 

Justificação: Nos últimos anos, a taxa de incidência de doença invasiva por meningococo em Portugal tem sido próxima dos 16 por 100 000 lactentes. Segundo o relatório da doença meningocócica invasiva em Portugal (disponível na íntegra aqui), em 2011 cerca de 72% dos meningococos isolados eram do serogrupo B (gráfico abaixo).  A taxa de letalidade situa-se entre os 5% e os 14% sendo que 11 a 19% sobrevivem com alguma sequela a longo prazo. No gráfico de seguida é mostrada a incidência (número de casos por ano, por cada mil habitantes) de doença meningocócica dos vários grupos. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Segundo o último relatório das doenças de declaraçao obrigatória da Direção Geral de Saúde, disponível aqui,  em 2012 ocorreram 76 casos notificados de infeção e meningite menincogócica. A incidência tem vindo a diminuir desde 1986. Em 2012, a maioria dos casos ocorreu no grupo etário até aos 4 anos (53%), sendo que 77% de todos casos ocorreram até aos 24 anos. Aqui podem consultar o último quadro resumo disponível da notificação dos casos:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Eficácia da vacina. A vacina atua em 3 proteínas da meningococo B com funções importantes para a sobrevivência.  Contudo, o meningococo B possui uma grande diversidade genética pelo que a vacina não é 100% eficaz. A cobertura estimada para a Europa é de 78% (CI:63-90), variando nos países estudados de 69% em Espanha até 87% em Itália. As estirpes portuguesas não foram testadas pelo que não é possível calcular com precisão a cobertura estimada para Portugal.

 

Segurança e efeitos secundários possíveis: Ao longo do processo de desenvolvimento da vacina foram realizados vários ensaios clínicos em lactentes com idade superior a dois meses, adolescente e adultos para avaliação da imunogenicidade, segurança e optimização do esquema. A vacina demonstrou ser imunogénica, segura e induzir memória imunológica em todos os grupos etários. Os efeitos secundários esperados como febre (10 a 15%) e reacções locais têm uma incidência semelhante às vacinas do PNV -  febre, náuseas/vómitos e dor no local da injeção - e são facilmente controláveis com paracetamol. A duração da imunidade não está, ainda estabelecida. A frequência de efeitos secundários, locais e sistémicos, é maior quando administrada em simultâneo com as vacinas do PNV. Em casos raros (de 1 em 10000 até 1 em 1000) está descrita a possibilidade ocorrer a doença de Kawasaki.

 

Como tomar: 4 doses até aos 15 meses de idade: 3 doses iniciais com início a partir dos 2 meses (dos 2 aos 5 meses) e espaçadas pelo menos 1 mês entre elas; dose de reforço a partir dos 12 meses. Esquema-tipo: 2, 4, 6 e 12 meses. Pode ser tomada a partir dos 6 meses, num esquema de 3 doses. Eis aqui o quadro resumo: 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Recomendações existentes:

Sociedade de Infecciologia Pediátrica: "a vacina de quatro componentes anti-meningocócica tipo B pode ser administrada a todos os lactentes, crianças e adolescentes, nos esquemas recomendados, para protecção da doença invasiva por N. meningitidis tipo B." Esta sociedade acrescenta ainda que "

Mesmo desconhecendo-se com precisão qual será a percentagem das estirpes circulantes em Portugal cobertas pela vacina, ela é, actualmente, a única forma de protecção contra a doença invasiva meningocócica tipo B".

 

 

 

Vacina contra o Rotavirus (Rotarix® / Rotateq®)

 

O Rotavirus é um dos principais agentes causadores de diarreia a nível global. Nos países desenvolvidos, a maioria das gastroenterites por rotavirus não origina hospitalização e raramente origina complicações sérias. De qualquer modo, o impacto deste agente na saúde pública ainda é significativo (dias de doença, ausência ao trabalho por parte dos pais).

 

Justificação: Um estudo recente realizado em 10 hospitais portugueses identificou o rotavirus como causa de 27,8% dos casos de gastroenterite observados no serviço de urgência. Estudos realzados a nível europeu têm demonstrado uma diminuição no número de observações e internamentos de gastroenterites a rotavirus nas crianças vacinadas.

 

Efeitos secundários possíveis: Os mais frequentes incluem diarreia (muiito frequente), dor abdominal, flatulência e irritabilidade. Como efeitos mais graves, estão descritos casos de intussusceção intestinal (frequência rara) e apneia nos lactentes muito prematuros (frequência desconhecida).

 

Como tomar: As duas vacinas comercializadas em Portugal estão autorizadas para administração acima das seis semanas de idade, em duas (Rotarix®) ou três doses (RotaTeq®), por via oral. O intervalo entre doses deverá ser no mínimo de quatro semanas.

O RCM da vacina Rotarix® recomenda que a primeira dose seja efectuada antes das 16 semanas de vida e a segunda até às 24 semanas.

O RCM da vacina RotaTeq® recomenda que a primeira dose seja efectuada antes das 12 semanas devendo estar completada até às 22 semanas. Se necessário, a terceira dose poderá ser administrada até às 32 semanas.

 

Recomendações existentes:

Sociedade Portuguesa de Pediatria: "A decisão sobre a vacinação deve ser tomada em conjunto com os pais. Estes deverão ser informados do estado de conhecimento actual sobre a vacinação contra RV, nomeadamente quanto à sua segurança e eficácia, bem com da ausência de efeito desta vacina sobre a GEA de outra etiologia"

Sociedade Europeia de Infecciologia Pediátrica (ESPID) e Sociedade Europeia de Gastrenterologia, Hepatologia e Nutrição Pediátricas (ESPGHAN): "Recomendação forte para a vacinação universal"

 

 

 

Vacina contra a Hepatite A (Havrix junior®)

 

A Hepatite A é a principal hepatite vírica a nível mundial, sendo transmitida pela via fecal/oral, através de água, alimentos ou outros produtos contaminados. É uma hepatite geralmente benigna, não-crónica e autolimitada. A taxa de falência hepática aguda é de menos de 1 para 1000 casos.

 

Efeitos secundários possíveis: Os mais frequentes incluem febre, náuseas/vómitos, diarreia e dor e eritema no local da injeção (até 15% das crianças). Como efeitos mais graves, estão descritos casos muito raros de convulsões, vasculopatias e vasculite.

 

Como tomar: A partir dos 12 meses, 2 doses separadas entre 6-12 meses.

 

Recomendações existentes:

Sociedade Portuguesa de Pediatria:

"Devem ser prioritariamente vacinadas todas as crianças, adolescentes ou adultos que:

· Viajem para países com endemicidade intermédia ou alta;

· Tenham patologia hepática crónica;

· Sejam hemofílicos e recebam hemoderivados;

· Sejam candidatos a transplante de órgão;

· Doentes com VIH;"

 

 

 

Vacina contra a Varicela

 

A varicela é uma doença benigna em idade infantil. A Organização Mundial de Saúde (OMS) apenas recomenda a vacinação no âmbito de um Plano Nacional de forma a garantir imunidade de grupo. Vacinar de forma esporádica pode aumentar a morbilidade e mortalidade global já que a vacina não é 100% eficaz (cerca de 20% dos vacinados contraem varicela) e o virus selvagem continuaria a circular.

 

Recomendações existentes:

OMS: Apenas recomendada no âmbito de Plano Nacional de Vacinação. Vacinação esporádica não recomendada por rotina.

Sociedade de Infeciologia Pediátrica: "a vacina da varicela deve ser administrada em adolescentes (11-13 anos) e adultos suscetíveis."