O Sol e a Proteção Solar

 

 

 

 

 

A grande maioria das famílias gosta de ir à praia e muitas crianças vibram com as idas ao mar e o brincar na areia!

 

O sol é capaz de trazer alguns benefícios, como a promoção da absorção da vitamina D (imprescindível para a fixação do cálcio no osso), aumento dos níveis de humor e diminuição do stress, entre outros, no entanto, a sua exposição direta pode também ser altamente prejudicial. O segredo é saber lidar com estas duas facetas e retirar o maior benefício possível.

 

FOTÓTIPO CUTÂNEO DE FITZPATRICK

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A exposição à radiação ultravioleta (UV) provoca uma transformação da melanina, um elemento responsável por dar cor à pele, que escurece e produz o efeito bronzeado, excepto nas pessoas que não se bronzeiam e nas quais a pele apenas fica queimada (fotótipo I). Reconheça e identifique o fototipo da pele do seu filho.

 

Os fotótipos I e II são os melano-comprometidos, apresentando um risco elevado e muito elevado de queimadura solar. 

 

Os fenótipos III e IV são os melano-competentes, apresentando um risco mais baixo de queimadura solar, mas ainda assim relevante.

 

Apesar de existirem os melano protegidos (fénotipos V e VI), lembre-se que ninguém está livre de ter problemas e como tal, deve sempre apostar na prevenção.

 

 

OS PERIGOS DO SOL EM CURTO ESPAÇO DE TEMPO

 

Queimaduras solares

 

A queimadura solar pode ser definida como uma recção dolorosa, eritematosa (vermelha) da pele em resposta à exposição excessiva ao sol. São extremamente perigosas! Sabe-se que o risco de melanoma (um tipo de cancro de pele) é 2 vezes maior nas pessoas que tiveram mais de 5 queimaduras solares na infância/adolescência (ainda que estes números variem entre os autores).

 

As pessoas de pele clara, cabelo claro (fotótipo I, ver secção classificação do fotótipo cutâneo), história prévia de queimadura solar, uso de determinados medicamentos bem como certos cosméticos, podem tornar a pele mais fotossensível e desta forma reduzir o tempo necessário para ocorrer uma queimadura da pele.

 

A palavra de ordem será então a prevenção da queimadura solar tomando todas os cuidados (explicados na secção “boas práticas solares”).

 

Em caso de queimadura solar, o seu tratamento faz-se através da hidratação abundante da pele (creme hidratante), um creme regenerador da pele específico para queimaduras, ingestão de muita água e evitar exposição solar até melhoria franca. Se tiver alguma dúvida ou o quadro for sintomático deverá procurar o seu médico de família, pediatra ou dermatologista.

 

 

OS PERIGOS DO SOL TARDIOS

 

Fotoenvelhecimento

 

O fotoenvelhecimento é definido como um envelhecimento prematuro da pele resultado da exposição prolongada e repetida ao sol. As alterações resultantes do dano solar são sobreponíveis às mudanças causadas pela idade cronológica e são responsáveis pela maioria das características associadas à idade da aparência da pele.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Esta entidade clinicamente apresenta-se com: rugas finas e grossas, manchas, pigmentação mosqueada, perda da translucidez e da elasticidade - vejam na imagem.

 

Claro que esta situação começa a aumentar de gravidade numa faixa etária que já não é a infanto-juvenil; contudo, pela motivação que pode trazer, nomeadamente aos adolescentes, está aqui abordada e com imagens reais que provam o resultado dos erros cometidos enquanto jovens.

 

A palavra de ordem aqui é também a prevenção.

 

 

 

CANCRO DA PELE

 

Esta entidade é a mais grave. É extremamente difícil consciencializar os adolescentes e jovens para um perigo (doença) que ocorrerá, em princípio, alguns anos mais tarde. Contudo, é de realçar que há cancros de pele em faixas etárias mais novas, como nos adolescentes.

 

A pele exposta ao sol memoriza os choques térmicos inapropriados a que foi submetida e, mais tarde, frequentemente 5, 10, 15 anos depois, seja por predisposição genética ou por situações de imunodepressão emergem as lesões neoplásicas.

 

Existem dois grandes tipos de cancros de pele: os não melanomas e os melanomas.

 

Os não-melanomas, que englobam diversos tipos histológicos (“vários primos”), resultam de uma exposição ao longo da vida, cumulativa, ao sol. Como tal surgem mais frequentemente em zonas mais expostas ao sol (face, orelhas, dorso das mãos, antebraços) e em idades mais tardias. São mais frequentes que os melanomas (ou seja, por ano, aparecem mais casos de “não-melanomas” que melanomas) e, por norma, são menos graves.

 

Os melanomas estão mais relacionados com a exposição ao sol intermitente e intensa - que é aquela que cada um pratica quando durante o tempo de férias se expõe ao sol (daí o “intermitente”) e fica “o dia todo” ao sol (daí o intensa). O melanoma ocorre mais frequentemente em locais do corpo que fora da época balnear estão mais protegidas do sol, como as costas nos rapazes e as pernas nas raparigas.

 

Factores de risco para cancro da pele: exposição solar, história de queimaduras graves entre os 0 e os 20 anos, uso de solários, indivíduos com muitos sinais no corpo (> 50), história pessoal prévia de melanoma, história familiar de melanoma.

 

 

REFERÊNCIAS

1. Associação portuguesa de cancro cutâneo no sítio http://www.apcancrocutaneo.pt/;

2. Charles A et al. Estudo comparativo sobre o conhecimento e comportamento de adeloescentes e adultos frente à exposição solar; Na bras Dermatol, Rio de Janeiro, 72(3):241-245, maio7jun 1997

3. Welter E. Sun exposure, photoprotection and skin cancer: a comparison of self-reported knowledge by pediatrics and dermatology residentes; Revista AMRIGS, Porto Alegre, 52 (2): 93-96, abr-jun, 2008

GUIA DAS BOAS PRÁTICAS SOLARES

1. MEIOS DE PROTEÇÃO como óculos de sol, chapéu de aba larga (porque só assim protege pescoço, orelhas, ombros), guarda sol, roupas largas, de mangas compridas e cor clarinha (branco)

 

 

2. PROTETOR SOLAR: este deve ser aplicado 30 minutos antes da exposição solar, em todo o corpo (inclusive nas zonas que vão ser cobertas pelo biquíni/fato de banho) e posteriormente renovado de 2 em 2 horas e sempre que regressar do mar/piscina para a tolha.

 

O protector deve ser também usado na cara (e noutras zonas possivelmente expostas ao sol) em dias de possível calor, mesmo que não seja dia para ir à praia/piscina/campo.

O protector solar deve ter um factor de protecção ≥ 30, sendo o factor 50+ o mais adequado nas crianças de uma forma geral (pela pele mais sensível que têm) e nos mais crescidos aqueles que forem mais “branquinhos”. Deve assegurar-se que no protetor solar está escrito que protege de UVA e UVB (as faixas das radiações ultravioleta mais importantes).

O corpo TODO deve ter creme protetor solar, por isso não esqueça as orelhas, plantas dos pés (deitados a planta dos pés está directamente virada para o sol), lábios.

 

 

3. RELÓGIO SOLAR: procure respeitar o horário de exposição solar, evitando as horas perigosas (das 12h às 16H) e expondo as crianças e jovens apenas nas horas apropriadas (até às 11h e a partir das 17h).

 

 

4. INICIAR DE FORMA GRADUAL: procure iniciar a época balnear e as respetivas exposições solares de forma gradual; ou seja, nos primeiros 3 a 5 dias deverá ir 30 minutos de manhã e outros 30 minutos à tarde, seguidamente 1 hora de manhã e outra à tarde durante os 3 a 5 dias seguintes, e assim sucessivamente.

 

 

5. ATENÇÃO AO CÉUU NUBLADO: atenção que o tempo enublado também queima! Como tal, adopte os mesmo cuidados que nos dias de muito sol.

 

 

6. BEBER ÁGUA: as crianças e jovens devem beber bastante água e ter uma alimentação equilibrada (com ingestão diária de pelo menos 3 a 4 peças de fruta e muitos legumes).

 

 

7. HIDRATAÇÃO: a pele deve ser bem hidratada depois de um dia de exposição solar. O melhor creme hidratante é aquele com que a criança/jovem se der melhor.

 

 

8. CONVERSE: converse com o/a adolescente e demova-o/a a frequentar solários e a usar óleos bronzeadores que na realidade fritam a pele

IDENTIFICAR O CANCRO DA PELE

O mais importante neste ponto é adquirir o hábito de olhar para os sinais da criança/jovem mensalmente (ou de 2 em 2 meses) e aprender a conhecer cada sinal no que diz respeito à assimetria, à regularidade dos bordos, à cor, à dimensão (tamanho) e, muito importante, à evolução ao longo do tempo (como se comporta com o passar do tempo).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Lembre-se sempre que um sinal com características de baixo risco pode vir a tornar-se num cancro e um sinal com características de alto risco pode ser sempre benigno.

 

Assim, deverá procurar um médico, nomeadamente um dermatologista ou médico de família ou pediatra sempre que um sinal:

- mude de cor, tamanho ou forma

- seja diferente dos outros (o “patinho feio” – sinal que não se enquadra nas características dos restantes sinais do corpo)

- sinais ásperos ou descamativos

- sinais que dão comichão

- sinais que “sangram” ou “deitam líquido”

- sinais que parecem um ferida mas não cicatriza

 

O Sol e o início de vida...

Nos primeiros 6 meses de vida é de evitar o contacto directo com o sol e, depois disso, apenas nas horas de menor exposição solar e por períodos limitados de tempo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Os protectores solares devem ser evitados antes dos 6 meses (a pele do bebé ainda não está preparada para os receber). De qualquer forma, se não for de todo possível evitar o contacto direto com o sol, o protetor solar poderá ser uma solução menos má.