Regurgitar "Bolsar"

Última revisão deste tema: 07/09/2014

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O que é?

Denomina-se refluxo gastro-esofágico a passagem de conteúdo do estômago para o esófago. É um fenómeno muito frequente em bebés saudáveis, ocorrendo 30 ou mais vezes por dia.

 

O refluxo é frequente essencialmente por dois motivos. Por um lado, o estômago dos bebés é de dimensão reduzida, atingindo com relativa facilidade a sua capacidade máxima. Por outro, o esfíncter esofágico (o anel muscular que, contraído, impede a passagem de conteúdo gástrico ao esófago) está muito laxo, não desempenhando completamente bem a sua função na fase inicial da vida.

 

Muitos dos episódios de refluxo podem resultar em regurgitação – a passagem do conteúdo do estômago à cavidade oral – e a consequência poderá ser a expulsão do conteúdo pela boca – o “bolsar”. Normalmente, o conteúdo escorre pela boca e o bebé mantém o seu estado habitual.

 

Bolsar é diferente de vomitar. Vomitar implica a expulsão voluntária do conteúdo gástrico, com contração da musculatura abdominal e saída do conteúdo em jacto, por vezes seguida de choro ou irritação. No entanto, pode ser difícil (sobretudo para os pais) distinguir estas duas situações.

 

Ao contrário do bolsar, vomitar em recém-nascidos e bebés em idade precoce (sobretudo nos primeiros meses de vida) é um sinal de alarme. Em caso de dúvida deve recorrer ao seu médico de família ou pediatra.

 

 

Qual a evolução natural (o que é normal)?

 

A regurgitação é muito frequente nos primeiros 3 meses de vida, período em que ocorre pelo menos um episódio em mais de metade dos bebés.

 

Em termos populacionais a regurgitação atinge a maior frequência e gravidade aos 4 meses em que mais de 60% dos bebés apresentam este sintoma.

 

Entre os 3 e os 4 meses, os bebés adquirem maior capacidade para a sucção, o que se pode acompanhar com maior quantidade refluxo. Esta é uma situação transitória.

 

O refluxo diminui gradualmente a partir dos 5 meses. Aos 6 meses apenas cerca de 20% dos bebés apresentam refluxo, entre os 10 a 12 meses apenas 5% e habitualmente desaparece entre os 12 e os 14 meses.

 

 

Quando ir ao médico?

 

Deverá procurar o seu médico assistente em caso de dúvida e nas seguintes situações:

 

1. Episódios de vómito em jato sistemáticos

2. Recusa alimentar

3. Choro sistemático e inconsolável e/ou irritabilidade

4. Letargia (bebé pouco activo e/ou sonolento)

5. Febre

6. Saída de sangue (boca ou ânus)

7. Obstipação

8. Diarreia

9. Distensão ou rigidez abdominal

10. Se suspeita de evolução anormal do peso (perda do peso ou evolução menor que o esperado)

 

 

Como ajudar o meu bebé que regurgita?

Na grande maioria dos casos, o refluxo é benigno e acaba por desaparecer com a maturidade do sistema digestivo do bebé. Se o seu bebé se alimenta e evolui (peso e altura) normalmente, se não tiver infecções respiratórias de repetição ou perda de sangue pelo tubo digestivo, o refluxo é não complicado e não há lugar a grandes tratamentos.

 

Previna-se: tenha bastantes babetes de reserva. Nos bebés que bolsam mais, pode haver períodos em que será necessário mudar babetes várias dezenas de vezes por dia.

 

Na cama, adicione um suporte anti-refluxo (a colocar debaixo do colchão) ou, se possível, eleve a cabeceira do berço de forma ao bebé ficar deitado numa superfície inclinada. Esta intervenção, para além de aumentar a segurança (evita a entrada do conteúdo para as vias aéreas) provou diminuir o refluxo de noite em alguns estudos.[4] Deve continuar a colocar o bebé deitado de barriga para cima e não colocar almofada.

 

Nos casos em que o bebé deixe de evoluir de peso podem ser sinal de que se está perante um refluxo patológico (complicado) como já referido. Estes casos podem levar o seu médico de família ou pediatra a solicitar investigação da situação e a iniciar tratamento farmacológico.

 

 

REFERÊNCIAS

1. Vandenplas, Y., et al., Gastroesophageal reflux, as measured by 24-hour pH monitoring, in 509 healthy infants screened for risk of sudden infant death syndrome. Pediatrics, 1991. 88(4): p. 834-40.

2. Winter, H.S., Gastroesophageal reflux in infants. Uptodate 19.3, 2011.

3. Nelson, S.P., et al., Prevalence of symptoms of gastroesophageal reflux during infancy. A pediatric practice-based survey. Pediatric Practice Research Group. Arch Pediatr Adolesc Med, 1997. 151(6): p. 569-72.

4. Vandenplas, Y., et al., Pediatric gastroesophageal reflux clinical practice guidelines: joint recommendations of the North American Society for Pediatric Gastroenterology, Hepatology, and Nutrition (NASPGHAN) and the European Society for Pediatric Gastroenterology, Hepatology, and Nutrition (ESPGHAN). J Pediatr Gastroenterol Nutr, 2009. 49(4): p. 498-547.