Picadas e mordeduras

 

 

 

 

 

Picadas de insetos

 

As picadas de insetos são extremamente comuns mas normalmente causam apenas uma pequena inflamação na área da picada. No entanto, algumas picadas são mais dolorosas e podem provocar uma reação alérgica grave.

Existem vários insectos que frequentemente picam, incluindo moscas, mosquitos, pulgas, vespas e abelhas. Podemos acrescentar a estes aracnídeos como as aranhas e ácaros.

 

Para além da agressão física da picada, normalmente existem substâncias do inseto/aracnídeo que são libertadas para dentro do corpo humano. Estas substâncias suscitam reacções alérgicas levando ao aparecimento de uma zona avermelhada com edema e por vezes prurido.

 

Apesar de dolorosas e incomodativas, a maior parte das picadas são inofensivas. A reacção local pode persistir durante algumas horas ou até dias. Sempre que possível tente identificar que inseto ou aracnídeo foi responsável pela picada.

 

 

Prevenção

 

No caso de ir participar em atividades ao ar livre, tais como acampar ou fazer caminhadas deve levar um repelente no caso de se verificar estar numa zona com muitos insetos. Tente não entrar em pânico no caso de encontrar abelhas e vespas, recuando cuidadosamente sem fazer movimentos súbitos.

 

No caso de viajar para o estrangeiro, existem medidas adicionais de precaução a tomar porque insetos existentes em África, Ásia e América do Sul são capazes de transmitir doenças graves como a malária, dengue, chikungunya ou febre amarela. Marque atempadamente uma consulta de Saúde do Viajante.

 

 

Tratamento

 

A maioria das picadas é tratada da seguinte forma:

- lavar a área afetada com água e sabão;

- colocar uma compressa fria sobre a área para reduzir o inchaço;

- evitar que a criança arranhe a zona afectada, começando por se certificar que a criança tem as unhas cortadas;

- aplicar um gel anti-histamínico na zona da picada de forma a reduzir o prurido e diminuir a inflamação.

- no caso de uma picada de abelha, tenha em atenção que deve remover cuidadosamente o ferrão para evitar que mais veneno seja inoculado. Não puxe nem torça o ferrão – deve raspar gentilmente a pele para o remover.

 

A gravidade das picadas varia dependendo do tipo de insetos e da sensibilidade da pessoa. A criança pode desenvolver uma reacção mais exuberante e não limitada em torno da picada podendo o edema/rubor ganhar maiores dimensões. Nesse caso convém tomar as mesmas medidas anteriormente enunciadas e dar conhecimento ao seu médico de família para ponderar se vale a pena tomar alguma medida ou fazer um algum estudo adicional.

 

Nos casos mais severos, a reacção alérgica pode ser ainda mais grave, sendo denominada de anafilaxia. Esta é uma emergência médica porque pode levar ao edema da glote, levando a criança a sufocar.

 

 

Sintomas de alerta

 

Estes são os sintomas de alerta a que deve estar atento após uma picada:

- dificuldade em respirar;

- náuseas, vómitos ou diarreia;

- ritmo cardíaco acelerado;

- tonturas ou sensação de desmaio;

- dificuldade em engolir;

- confusão ou agitação.

 

Se confirmar algum destes sintomas após uma picada deve ligar imediatamente para o 112.

 

 

 

Mordeduras (cão)

 

As mordidas mais comuns são as dos cães. Uma em cada cinco mordeduras pode ser grave o suficiente para exigir atenção médica.  Metade dessas mordeduras é em crianças e é também mais provável precisarem de cuidados médicos comparativamente aos adultos. Entre as crianças, a maior proporção de mordidas dá-se nas idades de 5 a 9 anos.

As pessoas com cães em casas têm maior probabilidade de serem vítimas de mordidas de cão. Se o número de cães em casa aumenta, o mesmo acontece com a incidência de mordidas de cão. Adultos com dois ou mais cães em casa são cinco vezes mais propensos a ser mordidos que aqueles que vivem sem cães.

Qualquer cão de qualquer raça tem potencial para morder. Há maneiras de tornar as mordidas de cão menos prováveis. Como pode evitar mordidas de cão?

Antes de trazer um cão em sua casa:

Trabalhar com um abrigo animal local, canil ou criador de confiança. Muitas vezes estes têm maior conhecimento e podem ajudá-lo a encontrar raças de cães que sejam mais adequadas para o seu agregado familiar.

Se sentir necessidade, solicite a um veterinário referências para ajudá-lo a treinar o cão.

Esteja alerta para sinais de medo ou apreensão da criança relativamente a cães antes de trazer um cão para casa. Deve haver mais cuidado ainda no caso de haver um bebé em casa.

Uma vez que a decisão de trazer um cão para casa esteja tomada:

- pondere castrar espécimes masculinos (associa-se a menor agressividade);

- não deixe bebés ou crianças pequenas sozinhas com um cão;

- procure não ser agressivo com o cão;

- planeie tempo para treinar o cão, ensinando-o a respeitar ordens e a adoptar comportamentos submissos;

- procure ajuda se o cão desenvolver  comportamentos agressivos ou indesejáveis.

 

Ensine à criança dicas básicas de segurança relativamente a cães desconhecidos:

- Não se aproximar de um cão estranho;

- Não correr ou gritar perto de um cão;

- Permanecer quieta quando abordado por um cão desconhecido;

- Se derrubada por um cão, rolar como uma bola e ficar quieta;

- Evitar o contacto visual directo com um cão;

- Não perturbar um cão que está a dormir, comer ou perto das crias;

- Não acariciar um cão sem permitir que ele tenha a hipótese de ver e cheirar a pessoa.

- Se mordida, avisar imediatamente um adulto.

 

Perigo e tratamento da mordedura:

Para além dos danos físicos da mordedura, as mordeduras podem infectar tanto à custa dos microorganismos do cão como da própria pele da criança.

Embora você possa prestar os primeiros socorros por uma mordida de cão em casa, é muito importante consultar um médico, especialmente se se tratar de um cão estranho, a mordedura for profunda, a hemorragia for extensa ou existam sinais exuberantes de infecção (vermelhidão, inchaço, calor, pus). Mordeduras de cão podem causar infecções que necessitam de ser tratados com antibióticos.

 

Para cuidar de uma mordedura de cão em casa:

- Coloque um pano limpo sobre o ferimento para evitar qualquer sangramento;

- Lavar cuidadosamente a mordedura com água e sabão;

- Aplicar uma gaze esterilizada sobre a ferida;

- Não aplique nenhum antiséptico directamente sobre a ferida. Nesta altura considere deslocar-se ao médico para avaliação da ferida.

 

Para além da infecção da ferida, há uma doença que merece destaque: a Raiva. É transmitida por mordedura de animais que tenham a doença. É improvável que um cão ou gato vacinados transmitam raiva. Em Portugal já não existem casos de Raiva em animais desde 1960 e a vacinação anti-rábica dos animais é obrigatória. No entanto, perante a mordedura de um cão ou gato desconhecidos deve recorrer aos serviços médicos. Outros animais são portadores da raiva mas não representam uma ameaça em Portugal. Caso se desloque para o estrangeiro, deve informar-se relativamente aos perigos existentes associados a animais no destino, sendo a raiva uma das principais preocupações a ter. Em caso de deslocações para África, América do Sul ou Ásia marque atempadamente uma Consulta de Saúde do Viajante.