Leite materno - o melhor alimento 

Última revisão deste tema: 07/09/2014

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O leite é o primeiro alimento e o elemento base da alimentação do 1º ano de vida. Existem dois tipos de leite que pode oferecer ao seu bebé:

            - Leite Materno. Humano, natural, único.

            - Leite Adaptado. Produzido artificialmente para se assemelhar ao leite materno.

 

 

Quais são as vantagens comparativamente ao leite adaptado?

 

Os benefícios do leite materno, comparativamente ao leite adaptado em contexto de países desenvolvidos, têm sido exploradas recentemente em estudos de revisão da Organização Mundial da Saúde e da Agency for Healthcare Research & Quality e incluem:

 

1. Prevenção de infecções. Diminuições de: 64% no risco de gastroenterites; 50% no risco de otite média (se pelo menos 3 meses de LM); e de 72% no risco de hospitalização por doenças do aparelho respiratório (para pelo menos 4 meses de LM exclusivo).

 

2. Diminuição do risco de doenças alérgicas e asma. Diminuições de: 42% no risco de dermatite atópica nos primeiros 2 anos de vida, em bebés com história familiar da doença; 27% no risco de asma em bebés sem história familiar da doença (para pelo menos 3 meses de LM).

 

3. Diminuição do risco de algumas doenças neoplásicas. Foi encontrada uma diminuição de 19% no risco de leucemia linfocítica aguda.

 

4. Diminuição do risco de síndrome da morte súbita do lactente. Estudos sugerem diminuição de 36% no risco em comparação com bebés que nunca amamentaram.

 

5. Prevenção de doenças cardiovasculares. Diminuição de 7 a 24% no risco de obesidade na adolescência e idade adulta, proporcional ao tempo de AM. Diminuição da pressão arterial sistólica (1,5mmHg em média) e diastólica (0,5mmHg).

 

6. Proteção materna. Também existe evidência que a saúde da mãe é beneficiada com a amamentação. Diminuição de 4,3% no risco de cancro da mama e de 28% no cancro do ovário. Foi documentado também uma pequena diminuição no risco de desenvolvimento de diabetes, proporcional ao tempo de amamentação.

 

 

Por quanto tempo?

 

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda o leite materno em exclusividade até aos 6 meses de vida e, daí em diante enquanto a mãe e a criança o desejarem. No entanto, em termos práticos e na realidade portuguesa, esta situação não é realisticamente possível. Muitas mães têm que retornar à sua atividade profissional ao 4º-5º mês após o nascimento e integrar o bebé numa creche. 

 

Para mães que produzem muito leite, existe sempre a hipótese de poderem extrair o seu leite, através de bomba própria, e congelá-lo em doses individuais para ser oferecido na sua ausência, se aplivável. 

 

O mais importante será manter o aleitamento materno exclusivo pelo máximo tempo possível até perto do regresso à atividade profissional. Depois disso, o aleitamento materno deverá ser mantido pelo máximo tempo possível, enquanto a criança e a mãe o desejarem, em combinação com os outros alimentos.

 

 

REFERÊNCIAS

1.  Silva, A.I. and H.G. Aguiar, [Diversification in the first year of food life]. Acta Med Port, 2011. 24 Suppl 4: p. 1035-40.

2.  Aguiar, H. and A.I. Silva, [Breastfeeding: the importance of intervening]. Acta Med Port, 2011. 24 Suppl 4: p. 889-96.

3.  Guerra, A., et al., Alimentação e nutrição do lactente. Acta Pediátrica Portuguesa, 2012. 43(2): p. S17-S40.

4.  Cope, M.B. and D.B. Allison, Critical review of the World Health Organization's (WHO) 2007 report on 'evidence of the long-term effects of breastfeeding: systematic reviews and meta-analysis' with respect to obesity. Obes Rev, 2008. 9(6): p. 594-605.

5.  Ip, S., et al., Breastfeeding and maternal and infant health outcomes in developed countries. Evid Rep Technol Assess (Full Rep), 2007(153): p. 1-186.