Icterícia

 

 

 

 

 

A icterícia ou coloração amarelada da pele é um sinal muito frequente nos primeiros dias de vida. Cerca de 67% dos bebés desenvolvem icterícia. Para a maioria destes, este sinal não é indicativo de doença correspondendo, de grosso modo, à imaturidade em metabolizar e excretar as bilirrubinas (produtos da degradação dos glóbulos vermelhos) – icterícia fisiológica.

 

Atualmente em Portugal, todos os recém-nascidos são avaliados para a presença de icterícia desde o primeiro dia. Aos recém-nascidos ictéricos é realizado o doseamento da bilirrubina que permite fazer a estratificação do risco de acordo com a idade e nível de bilirrubina. Esta estratificação permite identificar os recém-nascidos com níveis que justificam tratamento por fototerapia (as célebres “luzes azuis”), convencional ou intensivo, conforme os casos. Esta terapia expõe a pele dos recém-nascidos a uma luz azul especial que degrada a bilirrubina acumulada na pele em partículas mais fáceis de serem eliminadas na urina ou fezes.

 

A icterícia fisiológica tem um padrão típico de aparecimento, habitualmente entre as 36 e as 72h de vida (não antes das 24h), atinge um pico ao 4º-5º dia (7º dia em recém nascidos pré termo) e, normalmente desaparece ao final da 2ª semana de vida (14 dias).

 

A icterícia do leite materno pode também surgir nos bebés alimentados a leite materno e estão descritos dois tipos: precoce e tardia.

A precoce está relacionada com a restrição calórica fisiológica dos primeiros dias de vida e pode agravar a icterícia fisiológica. Nestes bebés, o número de mamadas deve aumentar para mais de 10 vezes por dia e pode haver necessidade de suplementar com leite de fórmula.

A icterícia do leite materno tardia tem um pico habitualmente entre o 7º e o 14º dia e baixa gradualmente a partir daí podendo, em alguns casos, persistir entre 1 a 3 meses. Nos casos de icterícia mais intensa a amamentação pode ser substituída provisoriamente pelo leite de fórmula (com a mãe a extrair o leite para não deixar de produzir) até aos níveis baixarem.

 

A icterícia fisiológica e a icterícia do leite materno, desde que não apresentem os sinais de alarme abaixo indicados, são inofensivas não sendo necessário qualquer tratamento.

 

 

O que fazer se o meu bebé tem icterícia?

 

Vigiar – os pais e profissionais de saúde devem vigiar a evolução da icterícia. Se esta se agravar ou tiver algum dos sinais de alarme descritos acima deve contactar o médico assistente e eventualmente ir a um serviço de urgência de pediatria para fazer o doseamento da bilirrubina total sérica.

Fornecer um aporte adequado de leite materno ou de fórmula é um fator essencial para prevenir ou tratar a icterícia. Saberá se o seu bebé está a ter um aporte nutricional adequado se tem pelo menos 6 fraldas molhadas por dia, a cor das suas fezes tiver mudado de verde escuro para amarelo e se aparentar satisfação após as refeições.

 

Ao contrário do que se pensava, a exposição direta à luz solar pode ser prejudicial por provocar queimaduras solares e, por isso, não está recomendado.

 

 

REFERÊNCIAS

1. Porter, M.L. and B.L. Dennis, Hyperbilirubinemia in the term newborn. Am Fam Physician, 2002. 65(4): p. 599-606.

2. Quintas, C. and A. Silva, Icterícia Neonatal. Consensos Nacionais de 2004 - Secção de Neonatologia da SPP, 2005.

 

Sinais de alarme

- Aparecimento nas primeiras 24h de vida

- Persistência após os 14 dias de vida

- Fezes muito claras (cor pálida) e/ou urina muito escura

- Icterícia abaixo da linha do umbigo e, especialmente, na palma das mãos ou sola dos pés

- Apatia do recém-nascido, recusa alimentar