Dormir - o sono do bebé

Última revisão deste tema: 07/01/2016

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Quantas horas deve dormir o bebé?

Tal como comer ou estimular o seu bebé com jogos/brincadeiras, também o dormir com qualidade é uma condição essencial e insubstituível para o desenvolvimento cognitivo do ser humano.[1,2]

 

O sono, para além de reparador, promove a ocorrência de processos vitais em termos de desenvolvimento cognitivo:

- Consolidação da memória

- Desenvolvimento do sistema nervoso central

 

Por outras palavras, dormir adequadamente é um elemento essencial para um ótimo desenvolvimento e aprendizagem

 

Nos primeiros 3 meses de vida, a grande maioria dos bebés tem o sono fragmentado ao longo do dia. Isto porque, nesta fase, o organismo dos bebés não segue ainda o ritmo biológico circadiano das 24h de um adulto normal – o ritmo dia/noite.

 

Na verdade, o ritmo circadiano da maioria dos bebés até aos 3 meses tem a duração de 3-4h e corresponde a 6-8 ciclos diários de acordar-mamar-interagir-dormir.

 

Nesta fase precoce, um dos sonos, normalmente o da noite (mas nem sempre, para desespero dos pais!), começa a estabelecer-se naturalmente como o mais prolongado. O bebé pode começar por dormir entre 6 a 8 horas seguidas sem pedir alimento ou, em alternativa, acordando uma ou duas vezes apenas para mamar, sem querer interagir, adormecendo muitas vezes ainda no peito. Noutros casos, o bebé pode demorar mais tempo a estabelecer um sono mais prolongado, querendo interagir em todos ou quase todos os ciclos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O sono é importante e dormir menos que o desejável tem consequências duradouras em múltiplos níveis, nomeadamente, estudos publicados têm identificado aumento do risco para obesidade[15] bem como para doenças cardiovasculares[16].

 

 

Quais são os sinais e sono do bebé? Como sei que o bebé quer dormir?

Pela experiência estes são os sinais que podem indicar que o bebé quer dormir:

 

1. Olhos congestionados

2. Bocejo

3. Chorar de forma irritada e intermitente (com o tempo os pais normalmente aprendem a distinguir o “chorar do sono”, diferente do “chorar de fome”, mais estridente e vigoroso e do “chorar por incómodo”, mais agudo e associado a outros sinais).

4. Esfregar as mãos nos olhos (um sinal muito específico, mas só a partir dos 3-4 meses)

5. Sons guturais “em vaivém” (a partir dos 4-5 meses)

6. Atirar-se para trás (a partir dos 6-7 meses)

 

 

Qual é a posição certa para dormir no berço?

Sempre de barriga para cima, nunca de lado ou barriga para baixo (veja quadro com figura ao lado)! Este tópico é muito importante pois estamos a falar de prevenção do síndrome da morte súbita do lactente. Leia mais sobre outras formas de prevenir na nossa secção própria aqui. Claro que quando o bebé começa a rebolar (por volta dos 5 meses) ele ou ela vai ter uma palavra a dizer sobre isso!

 

 

O local do sono é importante?

Os estudos mostram que sim, muito! O bebé tem direito ao seu próprio berço para dormir e este deve obedecer a algumas características (leia mais em Berço e local do sono). Nos primeiros meses, dormir no mesmo quarto dos pais parece proteger o lactente da morte súbita.[3-13] No entanto, partilhar a cama com os pais para dormir é, de forma clara e consistente o principal fator de risco para o síndrome da morte súbita do lactente.[3-12]

 

A Academia Americana de Pediatria recomenda que os lactentes durmam em berço ou alcofa com colchão firme. As cadeirinhas de bebé para o automóvel ("babycoque"), andarilhos ou balancés não devem ser utilizados com a finalidade de dormir pelo risco de obstrução das vias aéreas superiores e sufocação/asfixia. Um estudo americano recente [14] identificou, no espaço de 4 anos, 41 mortes de bebés a dormir sem supervisão em cadeirinhas de bebé para o automóvel e fez algumas recomendações (ver quadro em baixo).

 

 

Como ajudar o meu bebé a dormir?

A chegada do bebé a casa normalmente acaba por alterar todas as rotinas do casal! A fase inicial da vida do bebé, enquanto o ritmo circadiano normal não se estabelece, pode ser realmente um desafio para o lar. Os pais, que ainda se adaptam a um mundo novo de necessidades do novo elemento, podem ser confrontados com dificuldades como a falta de tempo para a realização de tarefas banais ou a privação do sono. Deixamos de seguida alguns conselhos que poderão ajudar os pais.

 

Sobretudo, se é pai ou mãe pela primeira vez, é perfeitamente natural que tudo se altere nos meses iniciais e que possa por vezes chegar ao desespero! Mesmo pais mais experientes passam por dificuldades. O melhor do mundo está à sua frente – o seu bebé – e esse ser indefeso precisa realmente de muito da sua atenção e amor.

 

Nesta fase, provavelmente a principal regra a ter será não lutar contra a maré mas, sim, deixar-se levar por ela - vejam o quadro ao lado.

 

Paralelamente, pode estimular a aprendizagem do ritmo circadiano das 24h no seu bebé:

 

De dia: privilegie a luz e os sons normais. Durante as dormidas diurnas do bebé, aja normalmente (obviamente não tem que fazer barulho de propósito, mas não precisa de andar de “bicos de pés”) e não oblitere a luz do bebé (quando muito poderá colocar a meia-luz). O organismo do bebé poderá começar a assimilar que as dormidas de dia são um complemento.

 

De noite: privilegie o silêncio e o escuro a partir da hora da dormida do bebé. Se possível, pouse-o no berço diretamente (ensonado, mas ainda acordado), ligue a música tranquilizante do móbil e deixe-o adormecer sozinho – a aprendizagem do adormecer faz-se sozinho. Muitos bebés choram um pouco antes de dormir – é perfeitamente natural e faz parte da sequência de rotinas do seu sono. A luz de presença pode ser utilizada mas não é necessária. O organismo do bebé poderá começar a assimilar que é no período da noite que deve estar concentrado o período de sono mais prolongado e profundo. Bons sonhos! 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

REFERÊNCIAS

1. Shelov, S.P., Caring for your baby and young child: birth to age 5. American Academy of Pediatrics, 2009. 5th Ed.

2. Ferber, R., Solve your child's sleep problems. Simon & Schuster, 1985. New York.

3. Mitchell, E.A., Sudden infant death and co-sleeping: stronger warning needed. N Z Med J, 2009. 122(1307): p. 6-9.

4. Mitchell, E.A., Co-sleeping and sudden infant death syndrome. Lancet, 1996. 348(9040): p. 1466.

5. Blair, P.S., et al., Babies sleeping with parents: case-control study of factors influencing the risk of the sudden infant death syndrome. CESDI SUDI research group. BMJ, 1999. 319(7223): p. 1457-61.

6. Carpenter, R.G., et al., Sudden unexplained infant death in 20 regions in Europe: case control study. Lancet, 2004. 363(9404): p. 185-91.

7. Mitchell, E.A., Recommendations for sudden infant death syndrome prevention: a discussion document. Arch Dis Child, 2007. 92(2): p. 155-9.

8.Moon, R.Y. and American Academy of Pediatrics, Task Force on Sudden Infant Death Syndrome. SIDS and other sleep-related infant deaths: expansion of recommendations for a safe infant sleeping environment. Pediatrics. 2011; 128: 1030–1039

9. McKenna, J.J. and T. McDade, Why babies should never sleep alone: a review of the co-sleeping controversy in relation to SIDS, bedsharing and breast feeding. Paediatr Respir Rev, 2005. 6(2): p. 134-52.

10. Scragg, R.K., et al., Infant room-sharing and prone sleep position in sudden infant death syndrome. New Zealand Cot Death Study Group. Lancet, 1996. 347(8993): p. 7-12.

11. Carpenter, R., et al., Bed sharing when parents do not smoke: is there a risk of SIDS? An individual level analysis of five major case-control studies. BMJ Open, 2013. 3(5).

12. Sullivan, F.M. and S.M. Barlow, Review of risk factors for sudden infant death syndrome. Paediatr Perinat Epidemiol, 2001. 15(2): p. 144-200.

13. Hauck, F.R., Pacifiers and sudden infant death syndrome: what should we recommend? Pediatrics, 2006. 117(5): p. 1811-2.

14. Batra E et al. Hazards Associated with Sitting and Carrying Devices for Children Two Years and Younger. The Journal of Pediatrics 2015; 167(1).

15. Halal C et al. Short Sleep Duration in the First Years of Life and Obesity/Overweight at Age 4 Years: A Birth Cohort Study. The Journal of Pediatrics 2016; 168.

16. IglayReger HA et al. Sleep Duration Predicts Cardiometabolic Risk in Obese Adolescents. The Journal of Pediatrics 2016; 164(5).

 

 

 

SABIA QUE...

Após os primeiros dias, confirmando que o bebé está a evoluir de peso, se tem a felicidade do seu bebé ter consolidado o seu sono à noite, não tem que o acordar de propósito para o alimentar, mesmo que o sono dure 8 horas!

 

Tal como nós, adultos, não temos necessidade de nos alimentarmos de noite, os bebés também podem perfeitamente passar o período noturno sem refeição, compensando depois durante o dia!

4 DICAS IMPORTANTES PARA NÃO CHEGAR AO LIMITE!

Como vai reparar, especialmente no início é o seu bebé que vai ditar as regras no que diz respeito a períodos de atividade e descanso! Salvaguarde-se do cansaço extremo:

 

1. Deixe-se levar pelo ritmo do seu bebé. Aproveite ao máximo os momentos em que este dorme para também dormir, seja de dia ou de noite. Não é expectável que continue a ter o sono reparador contínuo de 8h como antes, mas poderá continuar a beneficiar do descanso suficiente para conseguir gerir esta fase exigente!

 

2. Aproveite a ajuda do pai, avós e outros familiares em quem confia. Não deixe tudo para si. Obviamente que, amamentando o bebé, o desgaste será maior pois só a mãe terá a capacidade para alimentar o bebé de noite. De dia, no entanto, o pai pode dar-lhe uma grande ajuda! Se partilhar com o pai responsabilidades nos cuidados do bebé (por exemplo, vestir, dar o banho, mudar a fralda), este vai sentir-se mais útil e poderá ganhar um precioso aliado. Se não der hipótese ao pai em ajudar na fase inicial, provavelmente perderá em grande parte o contributo do pai nos cuidados básicos do bebé daí em diante. Outras ajudas, avós, tios, irmãos são sempre bem-vindas! Lembre-se: tanto para a mãe como para o bebé é saudável a interajuda na prestação de cuidados.

 

3. Trabalhe por antecipação através de uma boa organização:

- Nas várias divisões da casa, deixe ao dispor fraldas (descartáveis e de pano) e toalhetes para cobrir as principais eventualidades sempre que acontecem.

- Tenha sempre disponível uma mala – “a mala do bebé” – com tudo o que precisa para uma saída imprevista e reabasteça-o com regularidade: fraldas (descartáveis e de pano), toalhetes, mudas-de-roupa (bodies, meias-calças, camisolas, chapéu) e produtos de higiene e outros (creme-gordo, creme para assaduras, protector solar)

4. Se estiver no limite não guarde para si, peça ajuda!

 

 

Segundo as novas recomendações da Academia Americana de Pediatria de 2011,[8] o bebé deve ser colocado sempre de barriga para cima (e nunca de lado ou de barriga para baixo) num berço com um colchão firme e desprovido de lençois ou quaisquer objetos como almofadas ou brinquedos - ver imagem. Também estão desaconselhados quaisquer dispositivos de posicionamento. 

Posição de deitar
Cadeirinhas

Um estudo americano recente identificou, no espaço de 4 anos, 41 mortes de bebés a dormir sem supervisão em cadeirinhas de bebé para o automóvel. Com base no estudos das causas das mortes os autores fizeram algumas recomendações:

 

1. Os autores recomendam a não utilização das cadeirinhas de bebé para o carro para outros fins que não seja a viagem de automóvel.

 

2. Também recomendam que os bebés nunca estejam nas cadeirinhas sem os cintos colocados ou com eles parcialmente apertados.

 

3. Por último, a face do bebé deve estar bem visível, na zona da cabeceira e sem estar coberta com tecidos, e o queixo não deve estar encostado ao peito.