Depressão pós-parto

Última revisão deste tema: 07/01/2015

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Após tantas expectativas criadas durante a gravidez, após o nascimento do bebé acontece um turbilhão de sentimentos indescritível!

Há a noção, socialmente criada, de que deveria ser o momento mais feliz da sua vida. Quando, em vez de momentos de felicidade plena, aparece a tristeza, irritabilidade, choro fácil, cansaço permanente, desinteresse para cuidar de si própria e do bebé, a culpa por isso estar a acontecer pode fazê-la entrar numa espiral de desalento e desesperança...

Estes sentimentos acarretam consequências muito negativas para a mãe e para o bebé. O mais importante é reconhecer que precisa de ajuda e procurá-la.

 

 

Melancolia Pós-Parto ou Baby Blues

Durante o período pós-parto até 85% das mulheres experienciam alterações do humor.

A maioria destas mudanças de humor constituem os “baby blues”, consistindo em flutuações rápidas do humor desde irritabilidade, ansiedade, tristeza e choro frequente. O pico destes sintomas é por volta do 4º ou 5º dia pós-parto e duram alguns dias. Geralmente são ligeiros e desaparecem espontaneamente nas duas primeiras semanas pós-parto. Nestes casos, não é necessário nenhum tratamento específico. Cuidar e apoiar a Mãe é o melhor tratamento!

Quando estes sintomas acontecem de forma mais grave e mais duradoura, deve ser pesquisada depressão pós-parto.

 

 

Quando suspeitar de Depressão Pós-parto?

Dez a quinze por cento das mulheres experienciam uma forma mais grave e incapacitante de depressão. A depressão pós-parto ocorre mais frequentemente nos primeiros quatro meses após o parto, mas pode acontecer em qualquer altura no primeiro ano.

 

A depressão pós-parto cursa com pelo menos alguns destes sintomas:

- tristeza profunda

- crises de choro

- falta de prazer em tarefas que anteriormente eram satisfatórias

- cansaço constante e diminuição da energia

- sensação de vazio e/ou inutilidade

- ansiedade/irritabilidade

- insónia (dificuldade em adormecer, manter o sono ou acordar muito cedo)

- alterações no apetite.

 

A mãe pode-se sentir incapaz de cuidar de si própria e do bebé e ter receio de o maltratar. Pode haver sentimentos de preocupação excessiva ou de desinteresse completo em relação ao bebé. Em fases mais avançadas poderá haver falta de cuidados básicos ao bebé e mesmo negligência. Em última linha, pode também apresentar ideias de morte, em relação a si própria ou ao bebé.

A depressão pós-parto quando não é tratada coloca quer a mãe quer o filho em risco, impedindo-a de viver a maternidade em pleno e de estabelecer um vínculo afetivo saudável com recém-nascido. Está associada a efeitos no desenvolvimento e comportamento da criança a longo prazo.

A probabilidade de voltar a ter novamente depressão pós-parto é alta.

 

 

Fatores implicados

Há fatores que influenciam o aparecimento de depressão pós-parto:

- hormonais: no pós-parto, queda abrupta, em algumas horas, dos níveis de estrogénio e progesterona.

- psicossociais: menor suporte familiar, eventos negativos recentes (por exemplo: morte na família), dificuldades económicas, desemprego, dificuldades entre o casal, gravidez não desejada)

- vulnerabilidade biológica: história passada pessoal ou familiar de depressão, incluindo depressão pós-parto.

 

 

O que fazer?

Reconhecer o problema é um dos aspetos mais desafiantes. Muitas vezes é essencial a ajuda do pai do bebé e de outros familiares neste reconhecimento e posterior exposição ao médico, já que a mãe poderá tentar negar o problema. Se chora frequentemente por tudo e por nada, se se sente inútil, em baixo ou com sensação de vazio interior, ou se passa o dia irritada ou ansiosa, entra facilmente em conflito com todos, procure ajuda médica. O seu médico assistente estará na melhor posição para a poder ajudar a voltar a ter o equilíbrio que tinha antes. Exponha-lhe o que sente, não adie ou oculte os seus sentimentos. Quanto mais cedo for atendido e orientado o problema, mais provável é não causar sequelas permanentes para a mãe e mesmo o bebé. 

 

 

Tratamento

Para o sucesso do tratamento é fundamental a compreensão e apoio de toda a família à mãe e ao bebé.

Como já referido, o início precoce do tratamento é fator de bom prognóstico. Deve sempre ser mantido acompanhamento médico ao longo de todo o processo.

Pode haver lugar para acompanhamento individual ou em grupo num grupo psicoterapêutico.

Em termos de tratamento farmacológico, os antidepressivos são a primeira linha de tratamento. Após início da medicação, os sintomas habitualmente melhoram ao fim de quatro semanas. Uma remissão completa pode demorar meses. O tratamento vai variar de acordo com a gravidade e evolução da depressão.

A maioria dos antidepressivos passam para o leite materno, pelo que a escolha do medicamento deve ser discutida com o Médico de Família.

Há estratégias que devem ser usadas simultaneamente como ter uma alimentação saudável, fazer uma atividade física que goste, cuidar de si, sair de casa e partilhar o que vai sentindo com o companheiro.

 

 

REFERÊNCIAS

1. Saju J. Postpartum Depression. Disponível em www.medscape.com. Acedido em 4 de Janeiro de 2015. 

 

A depressão pós-parto afeta 10-15% das mulheres. Se chora frequentemente por tudo e por nada, se se sente inútil, em baixo ou com sensação de vazio interior, ou se passa o dia irritada ou ansiosa e entra facilmente em conflito com todos, procure ajuda médica.