Uso de antibióticos nas infeções

Última revisão deste tema: 09/01/2016

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Perante sintomas de infeção, muitos pais levam as crianças ao médico na expectativa de serem medicadas com antibiótico.

Caso o seu médico não prescreva o antibiótico, saiba que na verdade ele está a zelar pelo melhor interesse da sua criança. Já informamos de seguida o seu fundamento.

 

 

Todas as infeções melhoram com antibiótico?

A resposta é clara: NÃO. A maioria das infeções não tem qualquer melhoria com antibiótico. Isto porque a maioria das infeções nas crianças (e no adulto também!) são originadas por vírus. Isto inclui a grande maioria das infeções respiratórias: o “resfriado” comum, as faringites e amigdalites (sim, a maioria é causada por vírus), as bronquiolites, a gripe e mesmo parte das otites. A utilização de antibióticos nestas situações:

- Não cura a infeção

- Não previne outros de ficarem doentes

- Não fará a sua criança sentir-se melhor (pelo contrário, como é descrito mais à frente)

- Pode causar efeitos secundários indesejáveis

 

 

Porque é que os antibióticos não melhoram a maioria das infeções?

Porque, ao contrário do que causa a maioria das infeções na criança (os vírus, como já referimos atrás), os antibióticos atuam apenas nas infeções causadas por bactérias. As infeções causadas por bactérias são, felizmente, uma minoria das infeções nas crianças, sobretudo abaixo dos 5 anos.[1] A utilização nestas situações é completamente desnecessária.

 

 

Porque é que não se devem utilizar antibióticos desnecessariamente?

Em primeiro lugar, a criança é vítima da utilização desnecessária. Por um lado, pode sofrer de efeitos indesejáveis (como os vómitos, reações na pele ou diarreia, neste último caso causado pela eliminação da flora intestinal normal) ou mesmo, felizmente em casos raros, de complicações mais graves como o crescimento de bactérias intestinais perigosas como o Clostridum Difficile.

 

Por outro lado, a utilização excessiva de antibióticos tem levado ao aumento das resistências a antibióticos a nível mundial e particularmente em Portugal onde tanto utilização de antibióticos na comunidade como a percentagem de bactérias resistentes a antimicrobianos são das mais elevadas nos países desenvolvidos (consulte o relatório da Direção Geral de Saúde de 2014 aqui). A resistência aos antibióticos é considerado atualmente um problema de saúde pública. Imagine surgirem infeções graves (bacterianas) resistentes a todos os antibióticos existentes. Dados recentes sugerem que essa possibilidade não é assim tão remota.

 

 

Como saber se a infeção é causada por vírus ou bactérias?

Esta é uma questão complexa, mesmo para os profissionais, e deve-a deixar para o médico.

No entanto, se a criança tem sintomas em vários locais diferentes (como ter o nariz entupido e ter tosse e dor de garganta) provavelmente terá origem num vírus pois estes atacam vários sistemas do corpo ao mesmo tempo. Por outro lado, as infeções causadas por vírus passam muito facilmente de criança para criança (na creche / escola) e de criança para o adulto (em casa). Consulte as nossas secções da febre e tosse para saber quais os sinais de alerta nestas situações mas, de um modo geral:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

*Nota: Nas otites, apesar da maioria ser causada por bactérias, o uso de antibiótico nem sempre é necessário acima dos 6 meses de idade, segundo a evidência internacional mais recente e o preconizado pela Direção Geral de Saúde (Norma nº 007/2012 de 16/12/2012 atualizada a 28/10/2014). Se a sua criança tem otite e o médico não recomendou antibiótico é porque poderá estar a zelar pelo melhor interesse da criança.

(adaptado de CDC)

 

 

O que posso fazer?

Quando levar a sua criança ao médico, não insista na necessidade de utilização de antibiótico. O mais importante é a comunicação clara e aberta com o médico assistente da criança, nomeadamente ter conhecimento dos sinais de alerta para o caso em concreto, e continuar a vigiar o estado de saúde da criança. As infeções causadas por vírus podem persistir por vários dias e por vezes chegam a causar sintomas por mais de uma semana. Nunca automedique a sua criança com antibióticos.

 

Partilhe este artigo ou outros sobre este tema com os seus amigos, este é um problema de saúde pública! Contribua para a diminuição da resistência aos antibióticos, por um futuro melhor para as próximas gerações.

 

 

REFERÊNCIAS

1. CDC. Pediatric treatment recommendations. Disponível em URL: http://www.cdc.gov/getsmart/community/for-hcp/outpatient-hcp/pediatric-treatment-rec.html (acedido em 9/1/2016)

2. CDC. Antibiotics aren’t always the answer. Disponível em URL: http://www.cdc.gov/features/getsmart/ (acedido em 9/1/2016)

3. CDC. Antibiotic / Antimicrobials resistance. Disponível em URL: http://www.cdc.gov/drugresistance/ (acedido em 9/1/2016)

4. DGS. Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistência aos Antimicrobianos em números – 2014. Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistência aos Antimicrobianos.